As Boas Raparigas têm vindo a apurar ao longo dos anos
as suas escolhas artísticas: nos encenadores que selecionam, nos textos que
escolhem para levar à cena, nos atores que procuram para veicular os textos.
Mas nenhum dramaturgo conseguiu tornar-se tão íntimo
da companhia como Howard Barker. O enfant terrible da dramaturgia
inglesa contemporânea já criou uma peça exclusiva para a companhia, visitou-nos
para conferenciar sobre o seu teatro da Catástrofe, e aguarda instruções para
que possa realizar no Porto um workshop de interpretação.
As Boas Raparigas têm-lhe prestado reverência, sendo
já quatro as encenações efectuadas a partir de textos do autor: palavras que
trabalham na ideia de como os mortos podem
transformar as vidas dos vivos em “Mãos mortas”, sobre a violência e as suas
consequências em “Possibilidades”, soltando a energia e força libertadora que
existe na versão retrabalhada do clássico de Tchekov, “Tio Vânia” e por fim em
“Mulheres Profundas/ Animais superficiais” que valeu aos atores
envolvidos no espetáculo a Menção Honrosa da Crítica pela Associação dos
Críticos Portugueses em 2010.
Em 2012, ano de todas as crises, económica, social,
política, mas também moral, não queríamos deixar de fazer regressar ao Porto,
Howard Barker e as suas palavras de catástrofe, textos repletos de ideias
desafiadoras, de história, beleza, violência e comédia imaginativa, tudo
reunido nos extremos da experiência humana para criar uma experiência teatral
poderosa.
Numa escolha que não é aleatória, As Boas Raparigas
reúnem num só espectáculo duas das últimas obras saídas da mente de Howard
Barker: Devagar e um texto da obra Cinco Nomes. Ambos procuram e
lutam por encontrar um sentido dentro da matriz desafiadora da moralidade, da
sexualidade e da morte, que só o teatro pode oferecer.
Trabalhar e apresentar um texto de Barker
num palco é garantir um espetáculo intelectualmente estimulante, emocionalmente
carregado, e politicamente pertinente.
SINOPSE
Devagaré um percurso. Acompanhamos o trajeto interior de quatro princesas que
debatem o seu destino enquanto os bárbaros se aproximam do palácio da cultura
decadente...
O seu final está próximo e o decoro requer o suicídio.
Mas para algumas delas, a possibilidade de vida é demasiado empolgante.
Questionam, debatem e discordam, a partir de uma
única premissa: “Temos de morrer.”
O mundo de Devagar sobrepõe a cultura à vida
individual, e como a cultura é construída sob o legado dos mortos, isso faz com
que a lealdade aos mortos seja uma maior afirmação de dignidade do que a luta
pela existência. Em Devagar a convulsão social encontra o individualismo
e a cultura para debate. Há dignidade no suicídio? Será que nos rebaixamos
quando lutamos pela sobrevivência?
Ficha
Artística
Autor│ Howard
Barker
Tradução│
Constança Carvalho Homem
Encenação│
Rogério de Carvalho
Assistente
de encenação│ Carla Miranda
Cenografia│ Cláudia Armanda
Desenho de Luz │ Jorge Ribeiro
Sonoplastia│ Luís Aly
Figurinos
│ Catarina Barros
Elenco│ Anabela
Sousa ,Carla Miranda, Maria do Céu Ribeiro, Miguel Eloy, Sandra Salomé
CO-PRODUÇÃO As Boas Raparigas…/TNSJ
As Boas Raparigas é apoiada pelo Governo de Portugal |
Secretário de Estado da Cultura
Informações
As Boas
Raparigas...
Rua da
Constituição, 814 - 3º, sala 17 4200 - 195 Porto
Tel. 225 373 265 Tlm. 961 487 507
http://asboasraparigas.blogspot.pt/
Atendimento
e Bilheteira
Informações 800‑10‑8675
(Número grátis a partir de qualquer rede)
T +351 22 340
19 10 +351
22 340 19 F +351 22 208 83
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Não é bonito ver um teatro arrasado. Puxam-se as cadeiras, saltam os fios que vestem a teia, cortam-se os panos pretos que nos cobriam tão bem do mundo exterior. Foi-se. Não há mundos perfeitos por muito tempo. Obrigado por nos terem visitado durante estes anos. Agora vão ter de nos abraçar noutros sítios. Abrimos um braço para chegar ao armazém em Vilar de Andorinho, e vamos buscar a luz à Batalha. Se quiserem falar connosco, fiquem com a morada do novo escritório:
Rua da Constituição, 814- 3º Sl 17.
Obrigado a todos. Pode encontrar As Boas em Maio no Teatro Nacional S. João. Até já.
Convite para participar já esta terça-feira dia 7 de Junho na primeira leitura: "Terror e miséria no Terceiro Reich" de B. Brecht.
Tomando como pretexto a estreia de “A Pedra” de Marius von Mayenburg , produção de As Boas Raparigas…, encenada por Cristina Carvalhal em 6 de Julho, o Novo Grémio do Porto apresenta em Junho um ciclo de dramaturgias teatrais em torno da temática de “A Pedra”; de que forma é que para cada um de nós a identidade se molda e a importância que as raízes culturais e geográficas têm na construção do individuo e ao longo das gerações.
Procuraremos descobrir relações entre diversas peças que abordem este período histórico – a Alemanha Nazi antes da guerra, durante e no pós-guerra - e que tenham na sua reflexão estas questões: as consequências de se ser alemão ou de se ser judeu neste período, a reformulação de uma identidade, a posse, o estatuto social, a memória - a relevância contemporânea de conflitos exemplares na história recente da Alemanha.
Estas dramaturgias serão alvo de leitura e discussão em Junho, todas as terças-feiras às 21h no Estúdio Zero. Na continuação do carácter informal com que o Grémio tem vindo a fazer as suas leituras no Mosteiro, convidam-se todos os interessados a participar quer na discussão quer na própria leitura dos textos, de modo a podermos assim reflectir em conjunto sobre estes diversos temas que talvez não se detenham nessa época…
A entrada será de 1 euro e mais uma vez se convida a que tragam comes e bebes
Daniel Macedo Pinto
Novo Grémio do Porto
Contactos:
Daniel Macedo Pinto - 917084301
Estudio Zero - 225373265
Estúdio Zero - Rua do Heroísmo nº 86 (Junto ao metro do Heroísmo) - Porto.
Uma história alemã com seis habitantes de uma casa em Dresden.
A história da casa é a história da Alemanha: lidando com a terrivel culpa do nazismo, a raiva do bombardeamento de Dresden, as privações do sector Leste em oposição às do Ocidente, todos se reflectem na Pedra.
« Entendo por dignidade a perspectiva de uma terrível indecência »
Howard Barker
Porto
De 09 de Junho a 04 de Julho no Estúdio Zero
Terça a Sábado às 21h45
Domingo às 17h00
M/16
Mulheres Profundas/Animais Superficiais
de Howard Barker
Tradução│ Paulo Eduardo Carvalho
Encenação│ Rogério de Carvalho
Assistente de Encenação│ Ricardo Couto
Dramaturgia│ Rogério de Carvalho, Boas Raparigas,Ricardo Couto
Apoio ao movimento│Joana Providência
Cenografia│ Cláudia Armanda
Desenho de Luz │ Jorge Ribeiro
Sonoplastia│ Luís Aly
Figurinos │ Bernardo Monteiro
Assistente de Figurinos │ Ana Novais
Design Gráfico│Sandra Nicolau
Elenco│Carla Miranda, Maria do Céu Ribeiro,Miguel Eloy
SINOPSE
Duas mulheres. Um cão mecânico. Depois de uma mudança, uma revolução, uma guerra.
Estas duas mulheres estão num espaço queimado, onde toda a vida desapareceu.
Card era criada de Strassa antes desta ‘alteração’.
A antiga criada veste traje rigoroso. A antiga senhora em roupas rasgadas, destruídas pela mudança.
Agora que as relações de poder foram varridas, o desejo pode aparecer. O desejo do marido de Card (existe ele?) por Strassa pode reconhecer-se e tornar-se o centro da relação delas.
Aos pés de ambas um cão mecânico. Ele ladra, ele mia, ele levanta uma pata, ele sai, ele entra, ele prende e leva peças de roupa.
Card e o cão tornam-se os advogados do marido junto de Strassa.
Card pelas suas palavras, o cão pelos seus movimentos, pedem a Strassa que se encontre o marido.
Mas não é o desejo secreto entre as duas mulheres que é o centro deste texto? Não é a descrição de um mundo de onde os homens teriam desaparecido?
MULHERES PROFUNDAS / ANIMAIS SUPERFICIAIS
Howard Barker que refuta fazer um teatro político aborda a política por esta revisitação dos benefícios do poder nas relações criada-senhor que já foram abordados no teatro clássico e que passam aqui pela possessão do corpo. Ele aborda igualmente o erotismo sádico e a sua interdependência com uma sociedade regulamentar e hierarquizada segundo a análise de Michel Foucault. Por algures, nesse opus, onde se situa a realidade? Não nos encontramos numa cerimónia ritual à maneira de Jean Genet em "As criadas" ou mais prosaicamente num jogo de papéis catárticos em redor de um cenário erótico funesto? O cão mecânico, muito evidentemente um emissário do desejo do homem invisível, já não será um cão, mas o simétrico do pássaro autómato de "Casanova" de Fellini, símbolo da realização sexual masculina? Não ataca Howard Barker o mito do sexo?
AUTOR
Howard Barker
Howard Barker nasceu em 1946 em Dulwich. Artista polimorfo, exprime-se igualmente bem através da escrita, da pintura e da poesia. A sua primeira peça foi produzida no Royal Court em 1970 quando, juntamente com Caryl Churchill, Howard Brenton e David Hare, ele foi visto como parte de uma mão repleta de jovens dramaturgos promissores de peças políticas com uma agenda progressista nos palcos britânicos. Ao contrário dos seus parceiros, no entanto, Barker não cresceu para a popularidade, e isto deve-se em parte à difícil ‘marca’ frequentemente usada para caracterizar as suas produções pelos críticos londrinos. Mesmo com esta resistência, ele cultivou um corpo de trabalho que lhe deu outra reputação: a de dramaturgo dos actores. Quando os palcos do Royal Court e da Companhia Royal Shakespeare já não acolhiam as suas obras, em 1988, actores de ambas as companhias criaram a Wrestling School, uma companhia de teatro devotada exclusivamente à encenação das suas peças. Nesta altura a sua dramaturgia abandonou o impulso ideológico e didáctico do seu trabalho inicial. Como os críticos falharam ou se recusaram a acompanhar esta mudança, em 1986 Barker começou a escrever textos teóricos em notas de programa, artigos de imprensa, e seminários, antes de os reunir num volume Arguments for a Theatre em 1989, expandido com edições subsequentes em 1993 e 1997. Desenvolveu a Teoria do “Teatro da Catástrofe “que se dirige a todos aqueles que sofrem de uma ‘imaginação deficiente’ e que sentem um ‘desejo desarticulado de especulação moral’. Aos 64 anos tem uma obra de quatro dezenas de peças, um libreto de ópera,
argumentos para cinema e televisão. A sua peça de quinze horas The Estatic Bible em 2000, a sua revisão de Elsinore e o mito de Hamlet com Gertrude – The Cry em 2002, e a Seduction of Almighty God em 2006 prova a sua visão trágica tão afiada como sempre, com um corpo de trabalho que é avassalador na sua respiração e profundidade.
Demasiado clássico para a vanguarda, demasiado vanguardista para o teatro estabelecido, Barker continua por classificar-se a si mesmo.
“Nestes tempos – diz ele – em que o sofisma predilecto da indústria e do divertimento é fazer de conta que os doidos deprimidos têm sede de canções e de esquecimento”, o seu teatro vai em direcção oposta e inverte toda a verdade manifestada. O seu teatro nem é o lugar da reconciliação, nem o da consolação, não tem por fim a solidariedade, dirige-se sim à alma “onde ela sente a sua própria diferença”.
Descrito pelo Times como um dos “maiores dramaturgos vivos do Reino Unido”, Barker mostra trabalho como encenador com uma estética distintamente europeia, no seu tom abstracto, visualmente não naturalista, que contribui directamente para a expressão e objectivo do seu trabalho.
Ideias poéticas, poderosas e provocatórias e um imaginário vívido criam uma interessante e nova forma teatral. Barker desafia as preocupações do teatro contemporâneo britânico, com temas sócio-políticos e um teatro físico capaz de manter a linguagem poética no coração do teatro.
A companhia de Teatro As Boas Raparigas, levou à cena quatro dos seus textos, dos quais três se apresentaram agora editados pela Companhia em parceria com a editora Temas Originais: As Possibilidades, (Tio) Vânia e Mãos Mortas.
Estúdio Zero - Rua do Heroísmo nº 86 Porto.
Informações e reservas │225 373 265│961 487 507 │asboasraparigas@gmail.com